sexta-feira, 20 de abril de 2018

Mensagem para meu pai lida em sua Missa de sétimo dia.

Porque escrever alivia a dor no coração. 

Papai essa não é uma carta de despedida e sim uma carta de agradecimento. Quero te dizer que eu tenho todos os motivos do mundo para agradecer a Deus os momentos que passamos durante nossa existência como pai e filha. Você foi um pai maravilhoso e dedicado. Não sei se o pouco tempo que tivemos depois que você adoeceu foi suficiente para retribuir todo amor que você me deu. Mas quero te dizer que agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de cuidar de você nesse pouco tempo que tive.

Hoje estamos muito tristes com a sua ausência. Não sabemos se tomamos todas as decisões corretas em relação a sua saúde. Mas o que nos conforta é saber que fizemos tudo que estava ao nosso alcance.  Não sabemos se todas as atitudes que tomamos foram corretas, mas sabemos que foram feitas com amor.  

Fico feliz porque quando você teve a primeira tremedeira eu estava lá e te levei para o hospital.

Quando você teve a primeira queda no banheiro eu estava lá e te segurei.

Quando você foi internado para fazer a primeira ressonância eu estava lá para segurar a sua mão.

Quando você foi a primeira consulta com a endocrinologista, o cardiologista, o neurologista, e o oncologista eu estava lá para te acompanhar.

Quando você teve a primeira visão dupla eu estava lá para te levar na emergência.

Quando você teve que ir a fisioterapia eu estava lá para te levar e acompanhar.

Quando você precisou se alimentar de três em três horas eu estava lá para fazer seu lanche.

Quando você não conseguia mais tomar banho sozinho eu estava lá para te ajudar.

Quando você já não conseguia engolir os seus remédios eu estava lá para triturá-los.

Quando você não mais conseguia andar sozinho eu estava lá para te apoiar.

Quando você passou a usar cadeiras de rodas eu estava lá para te ajudar.

Quando você acordou e não despertou eu estava lá para te levar para a emergência.

Quando você saiu da UTI e foi para o quarto eu estava lá para ficar com você.

Quando você tomou o primeiro banho no leito, no quarto do hospital, eu estava lá ajudando a enfermeira. Nesse dia eu chorei muito mas confesso que foi a melhor oportunidade que Deus me deu para retribuir todo o amor que recebi de você.

Papai eu não sei se tive tempo suficiente para retribuir todo o amor que recebi de você, mas quero que saiba que te servir na pequenas coisas foi a maior lição de amor que eu tive na vida!

Não sei se um dia eu terei alguém para me ajudar quando eu estiver precisando, mas sei que de remorso eu não sofrerei por que tudo que eu pude eu fiz por você durante a sua doença e fiz com muito amor. Muito Obrigada meu pai por ter me ensinado que o amor se realiza nas pequenas coisas e não nos atos heróicos. 

Muito Obrigada Meu Pai, Meu Herói!

Da sua filha que muito lhe ama, Sylvana.

domingo, 24 de setembro de 2017

Viver no limite...

VIVER NO LIMITE...

Essa semana faço aniversário e descobri que estou vivendo no limite. E o que é viver no limite? Viver no limite não tem nada a ver com idade e sim com maturidade. Viver no limite é descobrir que a vida é muito rápida para ser pesada.  Viver no limite é perceber que já não temos tanto tempo para amar, errar, nos arrepender e ainda corrigir nossos erros. É perceber a relatividade do tempo para aproveitar a vida de modo a amenizar as perdas, agradecer as bênçãos, valorizar as pessoas, amá-las, perdoá-las e ainda nos perdoar. Por que o limite é quando entendemos que perdoar é nossa única opção. E que é tão importante nos arrepender do que fizemos, quanto perdoar aqueles que nos magoaram. É descobrir que o tempo que nos resta pode não ser suficiente para cometer outros erros. Então, melhor evitá-los. Porque talvez não tenhamos tempo de encontrar todas as pessoas que magoamos, ou que amamos e, ainda, pedir-lhes perdão. Perdão por não amá-las ou por amá-las demais. Perdão por não entendê-las, ou por achar que entendemos, embora amemos muito pouco para compreender que o amor não se mede pelos acertos e, sim, pelas tentativas frustradas de acertar. É entender que o meu limite pode ser muito diferente do seu, mas que juntos podemos aprender a amar infinitamente. E que viver no limite é, na verdade, ultrapassar todos os limites do amor e do perdão para encontrar a paz no coração!

Sylvana Machado Ribeiro.