sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A GAROTA DAS BOTAS ORTOPÉDICAS


A garota das botas ortopédicas.

O que pode nos ensinar uma garota de nove anos e que usa botas ortopédicas? Quase nada ou muitas coisas não é mesmo?

Quando eu era criança, eu tinha nove ou dez anos de idade, aproximadamente, porque eu estava na quarta série primária e estudava no Colégio Maria Auxiliadora.

Um dia, no final da aula, algumas colegas de classe se reuniram na saída do colégio e me chamaram para conversar. Eu me lembro que eu usava aquelas botas ortopédicas para correção de pé chato e eu tinha um trauma por causa disso. Eu achava horrível aquelas botas, tinha complexo mesmo.

O fato é que um dia no final da aula, na saída do colégio umas seis colegas me chamaram e formaram um círculo ao meu redor e começaram a me atacar. A me empurrar e a me bater. Mas o que me ajudou a me defender delas foi justamente a minhas botas ortopédicas! E a minha irmã que foi me chamar para irmos embora e chegou na hora e me ajudou me socorrendo daquela armadilha.

Bom, depois disso eu fui pra casa e minha mãe e meu pai ficaram sabendo do acontecido e foram ao colégio reclamar com a direção da escola. Com isso as meninas que fizeram isso foram suspensas por uma semana e depois tudo voltou ao normal.

Passado a suspensão eu continuei encontrando com elas do mesmo jeito no colégio, e as tratava do mesmo modo que eu tratava antes, como se nada tivesse acontecido.

Elas continuaram a ser minhas colegas de classe até a Oitava série. E quando já estávamos no final da oitava série uma delas me perguntou:

-Sylvana você se lembra que na quarta série nos te pegamos pra brigar com você sem nenhum motivo?
E eu respondi:
-Sim Cláudia Regina, eu me lembro. Daí ela me perguntou:
- E você nunca ficou com raiva da gente não?
Daí eu respondi:
- Não Cláudia nunca.
E ela perguntou:
- Mas porquê? Como pode um criança se agredida por várias outras e não ficar com raiva?
Daí eu disse:

- Cláudia eu não fiquei com raiva porque a atitude covarde que vocês tiveram comigo só demostra a natureza de vocês e não a minha. Na verdade eu fiquei é com pena de vocês.

O que eu quero dizer para vocês com isso é que nós não podemos mudar a natureza de ninguém e muito menos a nossa para agradar ninguém. O que devemos aprender é a aceitar os outros como eles são e aprender a conviver com as diferenças. E se mesmo assim existirem pessoas que não gostam da gente por algum motivo, não podemos fazer nada.

Precisamos entender que cada pessoa que passa em nossa vida é por algum motivo. Para nos ensinar uma lição. E se não aprendermos a tirar proveito daquele ensinamento que a convivência com aquela pessoa pode nos dar, de nada adianta a convivência pois perdemos a oportunidade de evolução. E isso que é o mais bonito da vida: trocar experiências e ensinamentos com as pessoas que vamos conhecendo em nossa caminhada.

Então, temos que aceitar as pessoas como elas são. E se elas não estiverem preparadas para conviverem com a gente, paciência. Não podemos fazer nada a não ser esperar, deixar o tempo passar porque só ele mostra a verdadeira natureza das pessoas e dos fatos!

E mais: nunca menosprezam uma garota que use botas ortopédicas. Vocês podem se surpreender!

Sylvana Machado Ribeiro.


domingo, 12 de maio de 2019

RETRATO DE MÃE

"Uma Simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus;

E pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo;
que, sendo moça pensa como uma anciã e, sendo velha , age com as forças todas da juventude;

Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças;

Pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos;

Forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a   bravura dos leões;

Viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome desta mulher se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página: eles lhes cobrirão de beijos a fronte; e dirão que um pobre viajante, em troca da suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato de sua própria Mãe."

Dom Ramon Angel Yara, Bispo de La Serena, Chile.