quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Papai Noel vou te contar um segredo...



As unhas do Papai Noel. 

Sempre observei as mãos das pessoas. Para mim as mãos devem estar sempre limpas, macias, bonitas e bem cuidadas. Mas especialmente as unhas. Nada diz mais sobre a pessoa do que suas unhas. Toda mulher deveria cuidar mais de suas unhas, pintá-las, e preservá-las, por que a mão é o cartão de visita das pessoas. Faz toda diferença ter unhas bem cuidadas, porque quem cuida bem das unhas, cuida bem do resto.

Quando eu me formei em direito, estava procurando emprego e marquei uma entrevista em um escritório de advocacia de São Paulo que estava se instalando em Brasília e procurava advogados recém-formados. Respondi ao anúncio e marquei uma entrevista. Eu estava toda empolgada por que seria meu primeiro trabalho como advogada. Fui toda animada, com meu curriculum vitae em mãos e bem preparada para qualquer pergunta. O advogado dono do escritório me entrevistou e logo de cara gostou de mim. Fui contratada de imediato.

Era um escritório muito chique. Logo de início, ganhei um carro novinho só para mim, uma conta bancária no Banco Francês e um bip. Naquela época não tinha celular, então, era bip mesmo. Hoje em dia os jovens nem sabem o que é isso! Mas, enfim, trabalhei nesse escritório por quase um ano. Foi muito bom e aprendi muitas coisas. Inclusive que devemos sempre andar com as unhas impecáveis. 

É que um dia, bem por acaso, o meu chefe veio me dizer por que tinha me contratado. E não é que ele me disse que foi por causa da minha mão. Isso mesmo. Ele me disse que uma das coisas que ele sempre olhava nas pessoas eram as mãos. E se fossem de mulher, então, tinham que ter as unhas impecáveis. E as minhas eram lindas e ainda por cima super bem cuidadas. Eu tinha as unhas grandes, bem cuidadas, feitas à francesinha. E ele adorou e pensou: é essa a advogada ideal para meu escritório, pois, se ela cuida bem das unhas, então vai cuidar bem de tudo! E eu que achava que estava abafando com a minha experiência de acadêmica de direito, fiquei muito surpresa com essa qualidade que eu tinha e nem sabia! Como são as pessoas, sempre nos surpreendendo.

Mas um episódio que marcou minha vida foi quando eu descobri, pelas unhas, que Papai Noel, na verdade, era Mamãe Noel, e era minha madrinha: a Tia Walda. É que ela sempre teve as unhas lindas, compridas e pintadas de vermelho. E eu era bem pequena e a adorava!  Suas unhas mostravam muito de sua personalidade: mulher forte, destemida, determinada, carinhosa e muito amiga. Era muito querida por todos. Eu não tive muita convivência com ela, pois, eu morava em outra cidade e ela nos deixou eu tinha apenas dez anos. Mas, nunca me esqueço de suas lindas mãos e impecáveis unhas vermelhas! Isso sempre me chamou a atenção. E eu sempre pensava: quando eu crescer quero ter as unhas iguais a da minha madrinha Walda.

Era Natal e estávamos todos reunidos na casa de uma tia, a espera do Papai Noel. Éramos muitos primos pequenos, todos menores de dez anos. E a espera ansiosa do Papai Noel para distribuir os presentes na noite de Natal era uma tradição em nossa família. Até que chegou o Papai Noel e foi aquela festa! Ele chamava um por um para conversar, colocava no colo e dava o presente. Não foi a minha surpresa quando percebi que as unhas do Papai Noel, apesar das luvas brancas, eram as unhas da Tia Walda! Bingo! O Papai Noel era a Tia Walda! Mas não me lembro se todos os primos descobriram, mas eu sabia e me orgulhava muito disso. Afinal, não é todo mundo que pode dizer que o Papai Noel, na verdade, era sua madrinha! Esse foi o modo como eu descobri que as unhas dizem muito mais do que imaginamos! E cá pra nós: não tinha Papai Noel melhor que a Tia Walda. Não, pelo menos para mim e meus primos, não é verdade?

Sylvana Machado Ribeiro.



domingo, 1 de dezembro de 2019

A culpa é da criança?



A culpa é da criança?

Quando eu era menina adorava ir para Goiânia e passar as férias na casa da minha tia Iracema e brincar com os meus primos. Erámos uns vinte primos todos amigos e da mesma faixa etária. Só casa de tia tínhamos cinco diferentes que podíamos dormir para brincar com eles. Meus primos eram tão queridos que não por acaso são chamados até hoje de primos irmãos. A vida com eles era uma aventura. Como fui feliz na minha infância! Meus pais nos deixavam passar todas as férias em Goiânia e nem se preocupavam com a gente porque sabiam que seríamos muito bem cuidados pelos nossos tios.

Naquela época os nossos pais respeitavam os seus irmãos e confiavam plenamente em nos deixar na casa deles durante as férias. Nossos tios tinham autoridade paternal sobre nós e nossos pais jamais  questionavam isso. Nos deixavam sob sua proteção e, portanto, sob sua autoridade,  também! Por que proteção sem autoridade que tem é baba e não tios! Totalmente diferente dos dias de hoje!

Hoje os pais além de terem poucos filhos, não respeitam seus irmãos, os tios de seus filhos, não educam os filhos que não aprendem a conviver com os primos e a obedecer os tios. É um mundo totalmente egocêntrico em que a única regra que existe na “educação” de seus filhos é: todos têm que respeitar o meu filho! Respeitar? Meu amigo se quer que seu filho seja respeitado ensine-o a respeitar os mais velhos e principalmente os tios! O resto é consequência natural da vida! Por que a vida seleciona naturalmente aquelas crianças mimadas que não aprenderam a respeitar os mais velhos. Simples assim!

E se você não ensinar essa regra básica de convivência em sociedade ao seu filho, sinto muito, mas, não adianta encher de presentes, cursos extra-curriculares, computadores, viagens, festas de aniversário, etc... Mais cedo ou mais tarde eles vão aprender a lição mais importante da vida, e não vai ser com os pais não! Vai ser no mundo mesmo! Essa lição é bem simples: quem quer respeito dá respeito antes de tudo aos mais velhos e aos mais próximos!

Mas,  infelizmente,  hoje,  os pais não respeitam os seus próprios irmãos, os tios de seus filhos. Então, como passar isso para os seus próprios filhos? Quando os pais usam seus irmãos somente para serem babás de seus filhos, sem dizer “meu filho respeite o seu tio”, “meu filho obedeça os seus tios”, “meu filho enquanto eu estiver fora você deve ouvir, obedecer e respeitar seu tio”, as crianças crescem sem respeitar os tios e achando que os tios têm a obrigação de cuidar deles, sem que eles precisem obedecer ou respeitar! E se esquecem que precisam amar, ouvir, obedecer e respeitar os tios não somente na ausência dos pais, mas, principalmente, na presença deles!

Porque os tios não são peças que usamos quando precisamos de alguém para nos ajudar a olhar e cuidar de nossos filhos em nossa ausência, não! Quem usamos para isso são as  babas, que pagamos, e não os tios que fazem isso por amor! Os tios são a primeira fonte de aprendizado e respeito ao próximo. Por que a criança tem um vínculo de amor diferente com seus tios, que não são seus pais, e, por isso mesmo, tem que amá-los e respeitá-los.

Os pais são o exemplo de vida e comportamento para os filhos, que são o reflexo de seus pais, e, assim,  se eles não derem o exemplo no tratamento com os seus irmãos, como os filhos vão respeitar os tios? E se não respeitarem os tios, aí meus amigos, esqueçam, não vão respeitar mais ninguém nessa vida! E as consequências só a vida vai mostrar!

Que a vida possa mostrar a todos que família deve ser exemplo de educação e respeito ao próximo e não um espelho de vaidades que torna as crianças minadas e adultos egocêntricos!

Sylvana Machado Ribeiro .